Ciro &
Babilônia
12/10/539 a.C. — Aconteceu no dia doze de outubro do ano 539 antes da Era Cristã (há 2.565 anos) a tomada da cidade da Babilônia pelo rei Ciro, o Grande do Império Persa. Ele incorporou assim os territórios do então Império Babilônico ao seu próprio império. A tomada da cidade se deu sem resistência. A população estava, por questões religiosas, muito insatisfeita com o rei Nabonido. Ele teria se descuidado do culto ao deus principal Marduk em favor do deus da lua Sin. Além disso, tinha passado anos ausente da capital, o que gerou forte insatisfação interna. O Ciro aproveitou dessas circunstâncias e foi recebido como um “libertador”.
Esse evento histórico ficou registrado no famoso artefato conhecido como Cilindro do Ciro, considerado por muitos historiadores como uma das primeiras declarações de tolerância e direitos culturais da Antiguidade. O cilindro foi encontrado em 1879 nas ruínas da Babilônia (território do atual Iraque). Ele escreve a conquista pacífica da cidade, critica o antigo governante Nabonido e anuncia a liberdade de culto, o retorno de povos exilados às suas terras natais e a restauração de templos religiosos. Simbolicamente, o cilindro é considerado por muitos como a primeira declaração de direitos humanos da história, embora os historiadores modernos o vejam mais como um documento de propaganda e legitimação política do Império Persa.
NABONIDO nasceu em dia e mês incertos do ano 615 a.C. de Harã no território da atual Turquia. Morreu em dia e mês incertos 522 a.C. na cidade de Carmânia no território do atual Irã. Foi o último rei do Império Babilônico. Assumiu o poder no dia 25 de maio do ano 556 a. C. através de um golpe de estado perpetrado contra o então rei Labasi-Marduque. Governou por dezessete anos até o ano 539, quando foi também derrubado e exilado pelo rei persa Ciro, o Grande. Os historiadores contemporâneos classificam o reinado do Nabonido como um período de profunda ruptura política, excentricidade religiosa e transição cultural. Reformador religioso, a sua política na área é apontada como o estopim da crise interna que levou à queda do império.
Brasil &
Pena de Morte
11/10/1890 — A pena de morte foi abolida no Brasil oficialmente no dia onze de outubro de 1890 (há 136 anos). Esse dispositivo foi confirmado na Constituição Federal de 1891. A decisão dos congressistas brasileiros decorreu do fato de há muito tempo não ter havido execuções no país. A última execução oficial ocorreu no dia 28 de abril de 1876 na cidade de Pilar no Estado do Alagoas, quando um escravo chamado Francisco foi enforcado. Após essa data, o imperador Dom Pedro 2.º passou a comutar todas as penas de morte restantes. Com a proclamação da república e a edição do Código Penal, a pena capital foi oficialmente retirada do ordenamento jurídico brasileiro.
No contexto histórico, com a proclamação da república, os novos governantes e juristas quiseram ajustar o país aos ideais modernos, científicos e civilizados de nações europeias. Essas nações viam a pena capital como um método bárbaro e atrasado. O pensamento jurídico da época passou a valorizar as penas de privação de liberdade como instrumento principal de punição e controle social, ao invés da eliminação física do condenado. Pelas regras atuais da Constituição Federal de 1988 (artigo 5.º, inciso XLVII, a), a pena de morte é proibida no país, “salvo em caso de guerra declarada”, nos termos do Direito Militar. De acordo com dados da ONU, 54 países ainda mantêm a pena de morte em suas leis, com destaque para a China e os Estados Unidos.
Alepo
11/10/1138 — Aconteceu no dia onze de outubro de 1138 (há 888 anos) o Terremoto de Alepo, cidade da Síria. É considerado um dos terremotos mais mortais da história. Estima-se que tenham morrido 230 mil pessoas e deixado outros tantos desabrigados. Estimativas de estudiosos contemporâneos revelam que esse terremoto chegou à magnitude de 8,5 graus na Escala Richter. Naquela época, Alepo era uma das mais importantes cidades da região, atrás apenas de Constantinopla na Turquia e do Cairo no Egito. Com a tragédia de 1138, a cidade sofreu um grande abalo econômico, principalmente por causa da sequência de novos terremotos que ocorreram entre junho de 1139 até maio de 1159, o que dificultou o trabalho de recuperação.
Carlomano
vs. Carlos Magno
9/10/768 — Aconteceu no dia nove de outubro do ano 768 (há 1.258 anos) a coroação do Carlomano e do Carmos Magno para os cargos de reis do Reino dos Francos. Eles substituíram o pai, o rei Pepino, o Breve. O Carlos Magno recebeu a faixa externa das terras francas, área que cobria o norte e o oeste. Essas áreas eram mais propensas a invasões e rebeliões. O Carlomano recebeu a região interna, área que abrangia o sul e o leste, teoricamente mais segura e estável. Embora governassem áreas diferentes do reino, eles deveriam, segundo o testamento do pai, trabalhar em cooperação. No entanto, a relação ficou extremante tensa com o passar do tempo.
O governo compartilhado durou apenas três anos. Em dezembro do ano 771, o Carlomano faleceu de forma repentina devido a uma hemorragia nasal. Após a morte do irmão, o Carlos Magno agiu rapidamente para ignorar os direitos de herança dos seus sobrinhos pequenos, tomou o controle total do território e unificou o reino sob o seu comando exclusivo. Abriu assim o caminho para se tornar o grande imperador do ocidente. No dia dez de julho do ano 774 tornou-se também rei dos lombardos. No dia 25 de dezembro do ano 800 assumiu a coroa de imperador dos romanos. Governou esses territórios até a sua morte no ano 814. De acordo com os historiadores, ele criou as bases para a instituição mais tarde do Sacro Império Romano-Germânico.
Supernova
9/10/1604 — Foi observada pela primeira vez no dia nove de outubro de 1604 (há 422 anos) uma estrela supernova que acabara de acontecer na Via Láctea. A observação levou a assinatura do astrônomo alemão Johanes Kepler. Na astronomia, supernova é uma estrela maciça que, num estágio avançado de evolução, explode. Passa então a brilhar de modo muito intenso. Depois, vai perdendo lentamente o fulgor. A Supernova do Kepler teve o seu momento de explosão há vinte mil anos. A luz dela chegou à Terra em 1604. Essa supernova foi a última visível a olho nu. Nomeada SN 1604, atualmente é estudada através do seu remanescente, uma nuvem de detritos que continua se expandindo e que emite raios-X e rádio.
Huceine
10/10/680 — Aconteceu no dia dez de outubro do ano 680 (há 1.346 anos) a morte por decapitação do líder islâmico Huceine ibne Ali, neto do Profeta Maomé. A morte decorreu do fato de ele se negar a prestar juramento de lealdade e fidelidade ao Yazid I, califa que acabara de ser coroado. Huceine considerava a liderança do Yazid ilegítima, tirânica e contrária aos princípios islâmicos. Como neto do Maomé e filho de Ali ibne Abi Talib (o quarto califa), ele se achava a liderança legítima para os seus seguidores, que mais tarde formariam o ramo do islamismo xiita, oposição direta à Dinastia Omíada.
No contexto histórico, ao marchar com um pequeno grupo de familiares e apoiadores para o Iraque, o Huceine e seus seguidores foram interceptados e cercados pelo exército do califa Yazid I na Planície de Carbala. Após dias de cerco e corte de água, o líder islâmico, parentes e companheiros foram mortos. Esse fato marcou um dos eventos mais traumáticos da história do islamismo. O dia dez de outubro é lembrado historicamente como o Dia da Ashura, dia de luto pelo martírio do Huceine ibne Ali. Os fiéis xiitas vestem-se de preto, recitam lamentos, encenam a Tragédia de Carbala e, em algumas comunidades, participam de rituais públicos. A palavra “ashura” vem do termo árabe indicativo para o número dez.
HUCEINE IBNE ALI nasceu no dia nove de janeiro do ano 626 na cidade de Medina (território da atual Arábia Saudita). Morreu no dia dez de outubro do ano 680 na cidade de Carbala (território do atual Iraque). Foi um dos maiores líderes do início da história do islamismo. Ainda criança, ele cresceu e se formou sob a forte influência do avô Maomé. Durante o califado do seu pai, participou na juventude das campanhas e batalhas para fortalecer o islamismo. Também se mostrou muito leal ao irmão Hacana ibne Ali. Com a morte do irmão, não pôde assumir o califado por causa de um acordo anterior feito com o Moáuia 1.º, o califa omíada. Mas é considerado o homem que transformou o xiismo de uma facção puramente política num movimento religioso.
Licínio
vs. Constantino
8/10/314 — Aconteceu no dia oito de outubro do ano 314 (há 1.712 anos) a Batalha de Cíbalas. O conflito opôs os exércitos do Valério Licínio, imperador romano do oriente, e do Flávio Aurélio Constantino, imperador romano do ocidente. O nome da batalha é uma referência. O conflito se deu em decorrência de uma grave quebra de confiança e disputa de poder por parte dois imperadores. Embora com menor número de combatentes (20 mil contra 30 mil), o Constantino saiu-se vitorioso da peleja. A principal consequência dessa vitória foi o colapso do sistema da tetrarquia. A partir de então, o Constantino passou a governar o império sozinho.
No contexto histórico, após a perda do Magêncio na Batalha da Ponte Mílvia no ano 312 contra o Constantino e a derrota do Maximino Daia na cidade de Tarso no ano 313 contra o Licínio, o Império Romano ficou dividido em duas porções. Na guerra do Licínio contra o Maximino, ele e o Constantino mantiveram-se aliados. Quando se tornaram governantes únicos, a situação se deteriorou. Isso tudo, aliado a outros fatores, inclusive familiares, levou ao confronto direto. O Licínio governou o Império Romano do Oriente por 16 anos entre 308 e 324. Os historiadores o descrevem como um homem competente e bem-intencionado. O erro grave dele foi ter cruzado o caminho do Constantino, o homem que reescreveu a história do Império Romano.
Concílio
da Calcedônia
8/10/451 — Começou no dia oito de outubro de 451 (há 1.575 anos) o Concílio da Calcedônia, uma cidade da Região da Bítinia na Ásia Menor (atual Turquia). O encontro estendeu-se até o dia 1.º de novembro do mesmo ano. Foi a quarta assembleia ecumênica da história, na qual se reuniram 520 religiosos pertencentes às igrejas católica e ortodoxa. O concílio foi convocado pelo imperador romano Flávio Marciano. O principal objetivo foi estabelecer a doutrina da natureza do Jesus Cristo. Os bispos estabeleceram que o Jesus Cristo é uma única pessoa com duas naturezas: divina e humana. Além disso, o concílio emitiu 28 cânones disciplinares para a organização da igreja e o clero. Muitas dessas decisões levaram ao primeiro “racha” na igreja.
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